Toda família, ou pelo menos a maioria, guarda um caderno de receitas! Na minha família não é diferente. Porém, no caderno de receitas da minha família encontrei registros manuscritos da minha bisavó Vittoria Olivieri e entre eles, de uma massa bem tradicional: tortellini di zucca (torteline de abóbora). E ainda escrito em italiano!
De alguma forma isso mexeu comigo e despertou memórias da minha infância e adolescência. Eu não a conheci, mas cresci ouvindo as histórias de família e dessa forma aprendi a admirá-la. Nessas memórias despertadas, lembrei de um evento em que a maior parte da família participava, quando nos reuníamos para fazer o cappelletti de carne para o fim do ano. Todo mundo participava do processo. Minhas tias avós preparavam a massa e o recheio, abriam a massa numa mesa de madeira, cortavam as rodelas com um copo de cristal separado especialmente só para isso, e então colocávamos pequenas porções de recheio em cada rodela, fazíamos a dobra e fechávamos no formato de um chapeuzinho…Nesta fase do processo, tias, avó, mãe, crianças participavam, uma verdadeira linha de produção tomava conta do espaço, afinal a produção era de mil cappelletti, nem mais, nem menos. Então a mesa da sala de jantar era coberta com um lençol branco e os cappelletti eram cuidadosamente arrumados ness superfície e cobertos com outro lençol . Assim ficavam descansando até o dia seguinte quando então seriam cozidos. O brodo (caldo) preparado no dia anterior era aquecido, perfumando todo o ambiente. Então eu me voluntariava para ralar o parmesão (ótima oportunidde para roubar bocadinhos do queijo, rsrsrs) . A mesa que antes guardava os cappelletti era então posta, vestida com uma bela toalha de linho, talheres de prata e louças que foram da Vittoria, porcelana esta, delicada de cor marfim, decorada com pequenas flores vermelhas e rosas e borda dourada. Então todos sentávamos à mesa e aos poucos cada prato era servido…Ainda carrego na memória os aromas e sabores desse ritual que um dia começou com minha bisavó: o cappelletti in brodo de fim de ano. Esta é uma das minhas memórias afetivas dentro da gastronomia e o reencontro com essas receitas me fez desejar dividi-las, reproduzindo-as de forma artesanal, com toda a tradição que as cerca.
Assim, a Pasta Olivieri, leva a tradição e o sabor da minha família até a sua mesa.
Agora me conta, qual a sua comida de afeto?